Uma das propostas que o partido Iniciativa Liberal vai levar às legislativas passa por atribuir às universidades e politécnicos a capacidade para escolherem os respetivos critérios de admissão de alunos.

Universidades e politécnicos devem poder definir autonomamente os seus critérios de admissão de alunos em cada um dos cursos lecionados, defende o partido Iniciativa Liberal numa das propostas que vai integrar o programa eleitoral com que irá apresentar-se às eleições de 6 de outubro.

O Iniciativa Liberal defende que esta solução permitiria manter um “regime concorrencial baseado no mérito” e seria uma forma de diminuir as assimetrias entre estudantes e “reforçar a responsabilidade das instituições [de ensino superior] no desenvolvimento regional e da economia”.

Em nota enviada às redações, o partido liderado por Carlos Guimarães Pinto refere pretender criar uma espécie de regime misto, conciliando as avaliações já existentes ao nível do ensino secundário (avaliação contínua, notas finais e exames nacionais) com os critérios que cada estabelecimento de ensino superior iria definir para cada um dos cursos da sua oferta educativa.

Entre os exemplos dados para estes critérios, o IL destaca a possibilidade de aplicação de testes psicotécnicos/vocacionais, entrevistas aos alunos ou “outro tipo de provas”.

Garantir às universidades e politécnicos a “liberdade de fixarem os seus próprios ‘numerus clausus'” é outro dos objetivos da propostas do IL.

“Não faz sentido que um aluno entre para medicina apenas baseado num teste escrito ou que a admissão a cursos de enfermagem não inclua análises psicológicas aos admitidos. Para alguns cursos, o atual sistema faz sentido, mas para outros está completamente deslocado da realidade das profissões”, afirma Carlos Guimarães Pinto.

“Quando se fala de autonomia das instituições, eis um caminho a seguir, atribuindo-lhes mais liberdade e mais responsabilidade”, acrescenta.

Na terça-feira foi o CDS a apresentar uma proposta também relacionada com ensino superior. O partido liderado por Assunção Cristas quer que os alunos excluídos pelos chamados “numerus clausus” tenham a oportunidade de pagar a frequência numa universidade pública a “preços de mercado”, hipótese em aberto, defende o CDS, porque nem as universidades nem os politécnicos esgotam a respetiva capacidade nos concursos nacionais para estudantes.

JORNAL DE NEGÓCIOS, 1 de Agosto de 2019