O telescópio espacial Hubble foi um extraordinário projeto científico mundial. Hoje, os objetos de estudo do telescópio são definidos a 85% pela NASA e a 15% pela Agência Espacial Europeia. Quase todas as semanas o telescópio produz novo conhecimento para a humanidade.

Em abril de 1990, o telescópio Hubble, com um espelho com 2.4 metros de diâmetro e cinco toneladas, foi colocado em órbita baixa pelo Space Shuttle Discovery, a apenas 400Km acima das nossas cabeças. Desde então tem andado em volta da terra, completando uma volta a cada 90 minutos, e revolucionando a ciência com as imagens que tira.

Por causa das imagens que o Hubble fez, descobrimos:

  • As novas dimensões do Universo, bem como a sua idade.
  • A existência de uma densa quantidade de partículas no espaço intergaláctico.
  • A caracterização de planetas fora do sistema solar (mais de 3000, muitos similares à Terra).
  • Mais supernovas e medimos a velocidade de expansão do universo.
  • No centro de todas as galáxias, inclusive a nossa Via Láctea, existe um buraco negro massivo.

Cada fotografia do Hubble foca-se numa zona do céu, com área inferior à Lua cheia, mas tem um detalhe que permite alcançar 10 a 11 mil milhões de anos luz, que é luz quase do início do universo. Um ano luz é a distância que a luz percorre durante um ano, ou seja, 109 575 000 Km.

O telescópio Hubble foi inicialmente orçamentado em 500 milhões de euros, mas devido aos atrasos e aos problemas técnicos, ainda antes de ser lançado para o espaço já estava a custar 1500 milhões de dólares.

Às primeiras imagens após o lançamento surgiu a grande deceção! Existia um defeito no espelho do telescópio que fazia com que as imagens aparecessem borradas, como se o telescópio tivesse miopia. Não se tratou de um erro de implementação, mas de um erro de projeto. Os espelhos foram construídos exatamente de acordo com as especificações, que estavam erradas, com um erro inferior a 1 milímetro.

Para resolver este problema foi necessário criar uma “Missão de Serviço” ao Hubble para lhe colocar “óculos”, o que acrescentou 500 milhões de euros aos custos. Foram necessários imensos esforços de alta precisão no espaço, em vácuo e sem gravidade. Felizmente a reparação funcionou com os resultados para a ciência acima descritos.

Depois desta primeira viagem de manutenção, já foram feitas mais 4 para atualizar software e hardware. Tudo isto teve um custo exorbitante, que incluindo as 5 missões de serviço e a nave espacial para o lançamento, se estima estar entre os 6 e os 8 mil milhões de dólares!

Finalmente chegamos à comparação que justifica o título.

Estes custos exorbitantes do Hubble, aproximadamente 7 000 milhões de dólares, comparam com o montante que Portugal já gastou para “salvar” a banca – 17 000 milhões de euros (incluindo 3.9 mil milhões de aumento de capital na Caixa Geral de Depósitos). Mais do dobro!

Vou repetir! O esforço português para salvar os bancos portugueses corresponde ao dobro do custo de quase 30 anos com a construção e manutenção do Telescópio Espacial Hubble!

Mas se ao menos a banca estivesse mesmo salva… Apenas vimos o dinheiro atingir a velocidade de escape e sair da força do atracão terrestre rumo ao buraco negro no centro da galáxia…

O que é que Portugal e o Mundo aprenderam com este resgate à banca portuguesa?

Parece que os nossos governantes ainda não aprendemos quase nada. Se amanhã voltar a falhar um banco, o Estado voltará a ter disponibilidade para o salvar qualquer que seja o montante, quando para tudo o resto diz não haver disponibilidade.

Dá até para suspeitar que os nossos governantes sejam extraterrestres e andem por aqui a sugar energia vital a quem tanto dela precisa…

Se queres continuar por este caminho, com os mesmos resultados, continua a votar nos mesmos. A minha opção de voto é nova e chama-se Iniciativa Liberal.

Fontes:
Coursera: Astronomy – exploring time and Space, Universidade do Arizona
https://pt.coursera.org/learn/astro
https://www.dn.pt/dinheiro/interior/ajudas-a-banca-ja-custaram—17-mil-milhoes-a-contribuintes-9216204.html

Duarte Gouveia, 28 de Dezembro de 2018