
Ricardo Pais Oliveira
Candidato
à Assembleia Municipal
45 anos, carreira em estratégia e operação de telecomunicações, criador de agentes de automação robótica e cinéfilo. Entrou na Iniciativa Liberal em 2018 para ser o responsável pela comunicação digital. É o primeiro vice-presidente da Iniciativa Liberal desde 2020, com foco na ideologia, estratégia política e comunicação. Fez todas as campanhas nacionais da Iniciativa Liberal.
Desde o zero a pensar o partido no país a 10 anos, trabalhando diariamente com análise, estratégia, técnica, táctica e estética para maximizar o impacto e influência das ideias da Iniciativa Liberal no país, estruturando-a como o partido que tem a cultura, a independência, a atitude, a consistência e as pessoas para inspirar e transformar Portugal.
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O infantário Gaivota ficava no mesmo quarteirão da antiga escola Preparatória Domingos Capela, que era ela própria boa parte desse quarteirão urbano da cidade de Espinho. Frequentavam esse infantário sobretudo filhos dos professores dessa escola, por conveniência. Cresci e avancei para a Escola Primária n° 1 de Espinho, localização central, belo edifício, jogávamos futebol com pacotes de leite achocolatado vazios e insuflados (fornecidos diariamente pelo Estado) no pequeno corredor de entrada, porque o espaço do recreio era exíguo para todas as outras crianças e o futebol raramente permitido.
Da n° 1 para a Preparatória Sá Couto (o “Ciclo”), de repente havia espaço, pavilhões e as suas traseiras, blocos A, B e C, polivalente, cantina com senhas a 110$00 (150$00 com multa no próprio dia até às 9:00) e bufete. As aulas começavam cedo e de Inverno lá se ia encafuado num kispo empunhando um guarda-chuva (parece que na altura chovia mais, talvez seja do menor ângulo de perspectiva). Havia nas redondezas a “lojinha”, onde se ia comprar gomas, chicletes e petazetas e tentar completar coleções de tous, tazos e pega-monstros. Um pouco antes as antigas instalações da Biblioteca Municipal, onde aproveitei para ler toda a colecção das bandas desenhadas do Lucky Luke e do Astérix & Obélix (lamentando agora que não tivesse também o Tintin).
De seguida, para a Secundária Manuel Laranjeira (o “Liceu”), onde todo um novo mundo de sensações se abriu, ao mesmo tempo que se estudava protões e electrões, equilíbrios químicos, forças e planos deslizantes, perspectiva cavaleira, mitocôndrias, Fernando Pessoa e Vergílio Ferreira, existencialismo e past tense. Ao mesmo tempo, os treinos do voleibol quase todos os dias, ao fim do dia, pela noite dentro, e os jogos ao fim de semana, a lutar pelo título de campeão nacional. Havia treinos de preparação física, treinos técnicos, treinos de jogo e treinos faltados para ficar a namorar pelos recantos da cidade (a cidade da nossa vida é sempre aquela onde passamos, experimentamos e ultrapassamos a adolescência). Nos longos verões a praia azul e as marés vivas.
Na fase seguinte, todos os dias muito cedo a experimentar o vento gélido numa estação de comboio que era bonita, ainda não transformada numa estação de metro pontuada por bufadeiras de dois andares, apanhar o comboio para São Bento, para depois ir a pé para a Faculdade de Engenharia, ainda na rua dos Bragas. A nortada matinal foi geografia da alma.
Todo este percurso foi feito na escola pública numa cidade que se desenvolvia e onde havia vida. O cinema acontecia no Casino e no São Pedro, havia animação nocturna frenética com bares e discotecas muito procurados. Espinho ainda tinha uma reputação que atraía muita gente de fora para a visitar, de dia e de noite.
Com efeito, a população de Espinho atingiu o seu máximo em 1991, tendo perdido 11% desde então. Muito mais grave, a cidade perdeu mais de metade das suas crianças e jovens desde 1991, aumentando bastante a sua população envelhecida.
A minha geração não consegue viver e trabalhar em Espinho, e fugiu para os concelhos à volta. Há uma sensação de que a cidade deixou de ter vida, estando parada no tempo. A habitação é inacessível. A cidade está envergonhada por ser o pináculo no país do que é a escandalosa gestão municipal dos siameses PS e PSD. A cidade está feia, mal tratada, mal cuidada, e sente-se o desperdício de uma má gestão permanente, Espinho podia ser tanto mais.
Espinho é um dos sete municípios do país que tem mais de 5 recintos culturais, sendo os outros bastante maiores – Lisboa, Porto, Oeiras, Braga, Coimbra e Évora – mas estão mal mantidos, mal aproveitados e mal concebidos. Espinho tem de ser a cidade do desporto em Portugal.
Em 2018, a Iniciativa Liberal tinha 200 membros, zero nas sondagens, zero euros na conta e pouco mais do que zero seguidores nas redes sociais. Entrei para o partido com o Carlos Guimarães Pinto directamente para a sua Comissão Executiva, assumi a comunicação digital e ao fim de um ano de campanha tínhamos eleito João Cotrim Figueiredo para a Assembleia da República, estava lançado definitivamente o projecto liberal no país.
Desde então sou vice-presidente com o pelouro da estratégia e de toda a comunicação da IL, a conceber, desenhar e escrever diariamente para fazer a Iniciativa Liberal crescer no país. Olhando para o estado da minha cidade, no caminho para as autárquicas, senti que não podia ficar de fora no abanão que é preciso fazer, a começar já, para dar uma visão e esperança num caminho alternativo. Está na altura de todos os espinhenses preocupados com o futuro, de vários quadrantes políticos, tomarem o seu destino nas próprias mãos e lutarem por uma melhor gestão, fazendo de Espinho uma cidade onde se possa viver, trabalhar e investir com qualidade.
O objectivo não é de pouca monta: vamos recuperar Espinho.


