“À medida que se tenta federalizar e centralizar a União Europeia em Bruxelas, as diferentes culturas europeias reagem à defesa, alimentando os extremismos” – avisa Ricardo Arroja, o cabeça-de-lista do Iniciativa Liberal às eleições europeias de Maio. Em resposta a um questionário d´O DIABO, o candidato afirma que, com o Brexit, “a UE tornar-se-á menos liberal e as tendências de centralização e de proteccionismo que vamos observando tornar-se-ão mais marcantes. O eixo franco-alemão, como já se está a ver, ganhará mais poder e isso não me parece especialmente positivo”. Partidário de um menor peso do Estado na vida económica e social, Arroja defende que “é essencial desmantelar as teias que contribuem para burocratizar a vida económica em Portugal”.

Com o slogan “Queremos menos Estado e mais Liberdade”, que mensagem esperam transmitir?

Por um lado, pretende-se transmitir a ideia de que o Estado é apenas uma forma, entre outras, de proporcionar aos cidadãos os bens e serviços públicos que a sociedade vai solicitando. Ou seja, que há bens e serviços públicos que, sendo financiados pelos contribuintes, podem e devem ser prestados por entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, em concorrência umas com as outras, inclusive em concorrência com entidades públicas. Por outro lado, pretende-se transmitir a ideia de que o Estado não é um fim em si mesmo, mas sim uma criação dos cidadãos e um meio através do qual estes se organizam para a realização de determinados propósitos comuns. O Estado tem de estar ao serviço dos cidadãos, não acima dos cidadãos nem ao serviço de apenas uma parte dos cidadãos. A nossa proposta não é uma de esquerda ou direita. A nossa proposta é uma de maior valorização das pessoas e de menor pendor do Estado.

Disse recentemente que defende que o sector privado deve “assumir o papel principal na economia” enquanto o Estado deve ter um papel subsidiário. Quer concretizar?

A afirmação insere-se no espírito do slogan do IL e remete para a distinção dos vários papéis que o Estado pode desempenhar na economia. Em Portugal, o Estado é o agente principal na educação, na saúde, na segurança social, no ambiente, entre outros sectores. Também a gestão dos fundos comunitários está totalmente controlada por entidades públicas. Nada acontece sem a intervenção de um qualquer ministro. O Estado é simultaneamente árbitro e jogador. São papéis conflituantes. Um árbitro que quer ser jogador será um mau árbitro, sendo que ao Estado, numa matriz liberal, exige-se que ele seja sobretudo um bom árbitro.

JORNAL DIABO, 1 de Abril de 2019