Durante a Eurovisão ficámos a saber que o governo do PS prefere, com a suposta “folga orçamental”, aumentar o número de funcionários públicos. A imoralidade de não aproveitar toda e qualquer possibilidade para reduzir a dívida devia, só por si, impedir um Primeiro Ministro de verbalizar este disparate.

Um Estado que gasta onde não deve, não tem para o que é preciso.

Mas pior, António Costa alega a necessidade de mais funcionários públicos para melhorar os “serviços prestados pelo Estado”. Ou seja, não só afasta a possibilidade de aumentos salariais para os atuais, como lhes atribui, implicitamente, a culpa pelos maus serviços públicos que temos.

Nos casos de corrupção, má gestão e falhas do Estado, António Costa usa a Justiça como offshore de responsabilidades políticas. Agora, também nos serviços públicos, este Primeiro Ministro sacode para os funcionários as consequências da incapacidade de gestão e falta de visão estratégica. António Costa nunca assume responsabilidades do que corre mal.

Os funcionários públicos não são de menos, nem incapazes de realizar bem as suas funções. Estão é mal geridos, sem meios, sufocados por uma máquina infernal de burocracia e, por vezes vítimas de nepotismo, assédio moral e um encapotado bullying da mediocridade política.

Funcionário público é também o agente da PSP, a quem entregamos uma arma para, à chuva e ao sol, patrulhar as nossas ruas e ao fim de sete anos levar para casa €760 por mês. Funcionários públicos são também os técnicos superiores atolados em trabalho, enquanto assistem a uma corte de administrativos a servir as chefias. São também os professores, esses eternos “precários”, cuja dependência dos concursos do governo é promovida por este para os controlar. Funcionários públicos são também os médicos e os enfermeiros que – tantas vezes contra o sistema – fazem o extraordinário para conseguir o impossível.

De nada adianta contratar mais funcionários públicos, se os pressupostos dos serviços que o Estado nos presta se mantêm obsoletos, burocráticos e complexos. A Administração Pública tem, tal como o setor privado, funcionários muito qualificados, mas tem um Estado-Patrão que os obriga a serem a cara da ineficiência, onde o mérito não é premiado e onde os melhores são obrigados a baixar os braços.

O Governo PS não nos propõe promover as qualificações que já existem na administração pública. Não nos propõe encarar o número excessivo de funcionários afetos a funções não essenciais, como razão principal para não conseguirmos ter, e promover, aqueles de que precisamos. Não nos propõe uma meritocracia que acabe com o nepotismo. Não nos propõem uma simplificação do papel. Não nos propõe condições motivadoras que permitam a descentralização e deslocalização de profissionais. Não nos propõe permitir aos funcionários públicos ganharem a sua independência, fazendo mais e melhor, com empreendedorismo nos serviços que prestam. Essa independência, bem o sabe António Costa, dar-nos-ia a capacidade de nos libertarmos das amarras.

Culpar os atuais funcionários públicos, ou adicionar mais, não moderniza, não simplifica, nem torna mais transparente ou eficaz os serviços. Para isso seria necessária a coragem de gerir bem, gerir melhor. A coragem de admitir que o maior empregador nacional – o Estado – se limita a usar a sua força de trabalho como um brinquedo eleitoral.

Porque insiste, então o Governo PS, em ter mais boys?

António Costa, sabendo já ter passado a fase de graça, consciente que não pode domar eternamente os parceiros de conveniência e ciente do dinamismo da sociedade portuguesa, que deixou de contar com um Estado que falhou, quer criar mais dependências. Quer, ao aumentar os dependentes do governo, reforçar um Estado-Eleitoral de cidadãos controlados. Quer, no fundo, usar o funcionalismo público como brinquedo político.

Mas a sociedade mudou. Já não procuramos o emprego para a vida, a fazer o mesmo, no mesmo local, anos e anos a fio. Vemos, com cada vez mais desprezo, a acumulação de serviçais do Poder e o total desrespeito pelas funções do Estado. Costa, I’m not your toy!

Funcionários públicos são também muitos dos que acordaram para a irracionalidade das decisões políticas que tornam os serviços onde trabalham ineficientes, insustentáveis e alvo de irritação dos utentes. Funcionários públicos são também aqueles que, se tivessem liberdade, fariam muito melhor por si e pelos que deles precisam, sem serem usados como joguetes eleitorais.

Numa leitura mais cáustica, consegue-se ver o maquiavelismo de António Costa: em vez de aumentar salários, cumprindo promessas do PCP e Bloco, quer contratar quem pensa poder vir a controlar nas eleições.

Engana-se Costa quando pensa que pode continuar o desmando. Acordamos, e vamos resistir: Costa, I’m not your boy!

Artigo original publicado em: https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/miguel-ferreira-da-silva/detalhe/costa-im-not-your-toy?ref=miguel-ferreira-da-silva_Destaque

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