A questão orçamental será um dos principais pontos em discussão nas europeias e a minha posição nesta matéria é muito clara: sou pela diferenciação fiscal e pela autonomia dos Estados-membros em assuntos fiscais. Há dois argumentos a invocar. O princípio político de “no taxation without representation”, tão bem descrito na entrevista em cima. E o princípio económico de não tratar como igual o que é manifestamente diferente, algo que encontra expressão no baixíssimo PIB per capita e na elevadíssima pressão fiscal que temos hoje em Portugal. A diferenciação fiscal é do nosso interesse. A harmonização será um atentado.

O PS e o PSD acham bem passar a definição dos impostos para Bruxelas. O PS é a favor de um imposto sobre robôs, de uma taxa mínima de IRC de 20% para todos os países, de um imposto sobre transacções financeiras, de um imposto sobre o plástico, e de uma entidade centralizadora das finanças públicas europeias. Já o eurodeputado Paulo Rangel acha bem aumentar o orçamento da União Europeia (ao mesmo tempo que propõe eliminar a possibilidade de uma maioria de parlamentos nacionais poder vetar leis da UE), esquivando-se no entanto a explicar como se aumenta o orçamento europeu sem aumentar os impostos (europeus).

Ricardo Arroja
O Insurgente, 6 de Março de 2019